Natura giftback é o crédito em reais que a Natura devolve depois de uma compra para ser usado num pedido seguinte, dentro de um prazo de validade e, em geral, a partir de um valor mínimo de compra. Funciona como um cashback que só vale na própria marca e que expira se ficar parado.
O assunto interessa a dois públicos. Quem compra quer saber como usar o saldo antes do vencimento. Quem tem loja virtual quer entender se dá para copiar a mecânica sem perder margem.
Respondemos as duas coisas, nessa ordem. Primeiro, como o bônus funciona e onde conferir as regras. Depois, como montar algo parecido numa loja que fatura de R$ 30 mil a R$ 300 mil por mês, com a conta de custo, o lembrete pelo WhatsApp e os casos em que não vale a pena.

- 2 Períodos de compra modelados: Clientes estratégicos compram duas vezes, e o modelo compara dois tipos de programa.
- Recompra Origem do lucro tradicional: Ponto que só vale em compra futura lucra ao estimular a recompra.
- Espera Risco do ponto negociável: Poder negociar pontos pode levar o cliente a adiar a compra.
- Lucro Vantagem com preço dinâmico: Com preço dinâmico, o programa tradicional rendeu sempre mais lucro à empresa.
Fonte: Junming Hu, Xing Hu, Song Hee Yang et al (2026), Manufacturing & Service Operations Management.
Como funciona o Natura giftback e onde conferir as regras?
O Natura giftback funciona em três tempos: você compra, recebe um crédito ligado ao seu cadastro e usa esse crédito numa próxima compra antes do vencimento, desde que o pedido atinja o valor mínimo da campanha. Percentual do crédito, pedido mínimo e validade ficam no regulamento publicado pela Natura.
Não reproduzimos percentuais nem prazos neste texto. Eles mudam de uma campanha para outra, e a versão que vale é a que está no site da Natura no dia da compra. Em outubro de 2026, a orientação segura é ler o regulamento antes de contar com o saldo.
Como usar o cashback da Natura
- Entre com o mesmo cadastro (CPF e e-mail) da compra que gerou o crédito.
- Confira o saldo e a data de vencimento na área do cliente.
- Monte um carrinho que passe do valor mínimo exigido pela campanha.
- Aplique o crédito no carrinho ou no checkout antes de escolher Pix, cartão ou boleto.
- Se o crédito não aparecer, confira se o pedido atingiu o mínimo e se o saldo ainda está no prazo. Persistindo, fale com o atendimento da Natura com o número do pedido de origem.
Validade do cashback Natura
O vencimento é o ponto que mais gera dúvida. O prazo curto é proposital: o objetivo do giftback é trazer a próxima compra para perto da anterior. Em regra, crédito vencido não é reativado, mas a palavra final é do regulamento da campanha.
Como adaptar o giftback para loja virtual a partir do modelo da Natura?
Para adaptar o giftback para loja virtual, copie as quatro peças da mecânica: um valor de crédito que cabe na margem, um gatilho de compra mínima, uma validade curta e um lembrete antes do vencimento. Sem mínimo e sem prazo, o crédito vira desconto permanente e deixa de puxar a recompra.
- Valor do crédito. Em reais, fixo, calculado sobre a margem de contribuição do pedido mínimo, e não sobre o preço de venda.
- Compra mínima. Um pouco acima do tíquete médio atual, para que o crédito também aumente o valor do pedido.
- Validade curta. Menor que o intervalo médio entre compras da sua base, para antecipar a próxima.
- Lembrete pelo canal. Uma mensagem para quem tem saldo ativo, dias antes de vencer.
Se você ainda está decidindo o formato, explicamos a diferença no guia sobre o que é giftback e a conta para saber se compensa e no texto sobre quando o cashback para loja virtual compensa e quanto custa.
Duas pesquisas recentes ajudam a entender por que regra de resgate e prazo pesam. Hu, Hu, Yang e coautores (2026) modelaram clientes que compram em dois períodos e compararam programas em que o ponto só vale em compra futura com programas em que o ponto pode ser negociado. O programa tradicional gera lucro principalmente ao estimular a recompra e, com preço dinâmico, rendeu sempre mais lucro à empresa. Fonte: Hu, Hu, Yang et al., Tokenizing Loyalty Programs: The Role of Tradability, Manufacturing & Service Operations Management, 2026, modelo teórico de dois períodos. O limite: é um modelo matemático, sem teste com lojas reais.
Han, Paik, Song e coautores (2026) fizeram três estudos sobre doação de pontos no checkout online. Mostraram que a validade dos pontos interage com a possibilidade de resgate e muda a decisão do consumidor sobre o que fazer com eles. Fonte: Han, Paik, Song et al., When loyalty points become donations, Journal of Retailing and Consumer Services, 2026, três estudos experimentais. O estudo mediu intenção de doar, e não recompra, e o resumo não informa amostra nem país. Serve como sinal de que prazo altera comportamento, não como medida de quanto vende.
Quanto custa um giftback numa loja de R$ 30 mil a R$ 300 mil por mês?
O custo real do giftback é o total de crédito usado, incluindo o de quem compraria de qualquer jeito, mais o custo das mensagens de lembrete. Ele se paga quando a margem de contribuição dos pedidos que só existiram por causa do crédito supera esse total. A conta abaixo mostra como fazer com os seus números.
Exemplo ilustrativo, com números criados para mostrar o cálculo:
- A loja fatura R$ 100 mil por mês com tíquete médio de R$ 200, ou seja, 500 pedidos.
- Cada pedido gera R$ 20 de crédito, válido por 30 dias em compras acima de R$ 150. São R$ 10.000 em créditos emitidos por mês.
- Suponha que 15% dos créditos sejam usados: 75 pedidos e R$ 1.500 de desconto concedido.
- Com margem de contribuição de 35%, cada pedido de R$ 200 deixa R$ 70 antes do crédito.
- Se metade desses 75 clientes compraria mesmo sem o bônus, só 37,5 pedidos são incrementais: R$ 2.625 de margem nova.
- Resultado: R$ 2.625 menos R$ 1.500 dá R$ 1.125 por mês, antes do custo das mensagens.
Agora a mesma loja sem mínimo e sem prazo. O cliente usa os R$ 20 numa peça de R$ 60: com 35% de margem, sobram R$ 21 antes do crédito e R$ 1 depois. E os créditos parados se acumulam: em seis meses são R$ 60 mil emitidos, um passivo que pode ser resgatado de uma vez numa data comercial.
A variável que decide a conta é a canibalização, a parcela de clientes que compraria sem o crédito. Ela não aparece no painel da plataforma. Para medir, separe um grupo de controle de clientes elegíveis que não recebem crédito e compare a recompra dos dois grupos. Numa loja de R$ 30 mil, a lógica é a mesma, com menos pedidos e mais tempo até o resultado ficar claro.
| Formato | Regra típica | Onde mora o custo | Quando usar |
|---|---|---|---|
| Giftback com mínimo e prazo | Crédito fixo, pedido mínimo, validade curta | Crédito usado por quem compraria mesmo assim | Recompra frequente e margem média |
| Giftback sem mínimo nem prazo | Crédito livre, sem vencimento | Uso em pedido pequeno e passivo acumulado | Evitar |
| Cashback percentual acumulado | Saldo cresce a cada compra | Saldo alto resgatado de uma vez | Cliente recorrente com tíquete estável |
| Cupom de desconto genérico | Código aberto para qualquer cliente | Vaza em sites de cupom e reduz margem | Campanha pontual de poucas horas |
Elaboração EcomSmart com base no exemplo ilustrativo deste artigo.
Como lembrar o saldo de giftback pelo WhatsApp sem pagar à toa?
Lembre o saldo pela WhatsApp API Oficial com um template de marketing enviado dias antes do vencimento, só para quem tem crédito ativo e autorizou o contato. A Meta cobra por mensagem entregue, conforme a categoria, então um envio segmentado custa menos e incomoda menos do que mandar para a base inteira.
Pelas regras publicadas pela Meta, a plataforma tem quatro categorias de mensagem (marketing, utilidade, autenticação e serviço), a cobrança acontece quando a mensagem é entregue, e não quando é enviada, e o preço varia por par de mercado e categoria. Ofertas e promoções entram em marketing. Fonte: Meta, WhatsApp Business Platform Pricing, página oficial de preços, consultada em outubro de 2026, regras gerais de cobrança por mensagem.
Três regras da mesma página mexem no seu custo (mesma fonte):
- Quando o cliente escreve, abre-se uma janela de 24 horas em que as respostas de serviço não são cobradas, e ela recomeça a cada nova mensagem dele.
- Mensagens de utilidade enviadas em resposta ao usuário também não são cobradas.
- Quem chega por anúncio de clique para o WhatsApp ou pelo botão da página do Facebook gera 72 horas sem cobrança em todas as mensagens.
Um erro frequente é colocar a oferta do crédito dentro da mensagem de atualização de pedido. A Meta define utilidade como mensagem não promocional, e um template com cara de promoção tende a ser classificado como marketing. Mantenha os dois separados.
Para enviar só a quem tem saldo, o crédito precisa estar no mesmo cadastro que dispara a mensagem, o que exige um CRM com WhatsApp integrado à plataforma da loja. Registre também o consentimento de cada contato, que a LGPD e as regras da Meta para a API Oficial exigem. Como ponto de partida, um lembrete a uma semana do vencimento e outro na véspera; depois, teste.

- 4 Categorias de mensagem: Marketing, utilidade, autenticação e serviço, com preços por mercado e categoria.
- Entrega Momento da cobrança: A Meta cobra quando a mensagem é entregue, e não quando é enviada.
- 24 h Janela de atendimento: Respostas de serviço sem cobrança após mensagem do cliente; renova a cada mensagem.
- 72 h Entrada por anúncio: Após clique em anúncio para o WhatsApp, todas as mensagens ficam sem cobrança.
Fonte: Meta, WhatsApp Business Platform Pricing, página oficial de preços, consultada em outubro de 2026.
Passo a passo para montar o giftback na sua loja
Montar um giftback na loja exige seis decisões: quem recebe, quanto, com que mínimo, por quanto tempo, como o crédito entra no checkout e como medir a recompra extra. Feche as seis antes de anunciar, porque mudar a regra depois de emitir créditos gera reclamação e pedido de exceção no atendimento.
- Escolha quem recebe. Segmente a base pela matriz RFV e priorize clientes de primeira compra e recorrentes que começaram a esfriar. Quem já compra todo mês não precisa de incentivo.
- Defina o valor pela margem. O crédito precisa caber com folga na margem de contribuição do pedido mínimo, já descontados frete subsidiado e taxa do meio de pagamento.
- Fixe o pedido mínimo. Um pouco acima do tíquete médio atual, para o crédito puxar o valor do carrinho.
- Calcule a validade. Use um prazo menor que o intervalo médio entre compras da sua base, calculado nos últimos pedidos.
- Teste o checkout. Confira se Nuvemshop, Tray, Shopify ou VTEX aplicam o crédito antes de gerar o QR code do Pix e o boleto. O Pix entra no teste por ser um meio de pagamento acompanhado de perto: o Banco Central publica mensalmente a quantidade e o volume financeiro das transações liquidadas. Fonte: Banco Central do Brasil, Estatísticas do Pix, portal de dados abertos, série mensal, transações liquidadas no SPI.
- Meça com grupo de controle. Separe uma fatia dos clientes elegíveis sem crédito e compare a recompra dos dois grupos no mesmo período.
Antes de ligar o programa, passe pelo checklist abaixo. Cada linha tem um sinal de alerta que você consegue ver no primeiro mês.
| Item | O que definir | Como conferir | Sinal de alerta |
|---|---|---|---|
| Público | Segmentos da matriz RFV que recebem crédito | Lista exportada do CRM por segmento | Crédito indo para quem já compra todo mês |
| Valor | Crédito em reais dentro da margem do pedido mínimo | Conta da margem de contribuição por pedido | Margem negativa depois do crédito |
| Pedido mínimo | Valor um pouco acima do tíquete médio atual | Relatório de tíquete médio da plataforma | Uso concentrado em pedidos pequenos |
| Validade | Prazo menor que o intervalo médio entre compras | Intervalo de recompra calculado na base | Taxa de uso perto de zero |
| Checkout | Crédito aplicado antes de gerar Pix e boleto | Pedido de teste em cada meio de pagamento | QR code do Pix sem o desconto |
| Lembrete | Template de marketing aprovado e opt-in registrado | Status do template e consentimento no CRM | Mensagem para contato sem autorização |
| Medição | Grupo de controle sem crédito | Recompra dos grupos com e sem giftback | Nenhuma forma de medir canibalização |
Elaboração EcomSmart.
Quando não vale a pena oferecer giftback?
Não vale oferecer giftback quando a margem de contribuição não comporta o crédito, quando o produto tem ciclo de recompra longo ou quando a loja ainda não consegue lembrar o cliente do saldo. Nesses casos, o bônus vira desconto que ninguém usa ou que só reduz o lucro do pedido.
- Margem apertada. Se o pedido mínimo deixa pouca margem depois de frete e taxas, qualquer crédito come o lucro da recompra.
- Compra rara. Colchão, eletrodoméstico ou móvel têm intervalo de compra de anos, e um prazo curto não casa com isso.
- Sem canal de lembrete. Sem opt-in registrado e sem WhatsApp API Oficial integrada, a maioria dos créditos vence sem o cliente lembrar.
- Venda concentrada em marketplace. No Mercado Livre, na Shopee e na Amazon, o checkout e o contato pertencem ao canal, e você não controla o crédito.
- Crédito empilhado com cupom. Se o cliente soma giftback e cupom de primeira compra, o desconto real dobra sem você perceber.
O erro mais caro é dar crédito a todos os clientes, sem mínimo e sem prazo, só para ter um programa no ar. A conta da seção de custo mostra o efeito: pedido pequeno com margem quase zero e passivo crescendo mês a mês.
Para montar a régua completa de recompra, com segmentação, lembretes e métricas, preparamos o e-book Manual da recompra, material gratuito da EcomSmart que está na nossa página de e-books grátis para lojistas.
Fontes deste guia
- Banco Central do Brasil, estatísticas do Pix, Estatísticas do Pix
- Meta, documentação da WhatsApp Business Platform, Business Platform Pricing
- Min Chung Han, Sung-Hee Wendy Paik, Chanho Song et al. (2026). When loyalty points become donations: The effects of redeemability, point expiration, and descriptive norm information. Journal of Retailing and Consumer Services. DOI
- Junming Hu, Xing Hu, Song Hee Yang et al. (2026). Tokenizing Loyalty Programs: The Role of Tradability. Manufacturing & Service Operations Management. DOI
Como este guia foi feito: a equipe editorial EcomSmart escreveu este texto com apoio de IA a partir das fontes listadas acima; todo número tem a fonte indicada ao lado.
Perguntas frequentes
Giftback e cashback são a mesma coisa?
Os dois devolvem parte da compra como crédito. No varejo brasileiro, giftback costuma ter valor fixo, prazo curto e uso só na loja que emitiu, enquanto cashback pode acumular saldo e, em alguns programas, virar dinheiro. No caso da Natura, vale a regra do regulamento vigente.
Dá para oferecer giftback vendendo no Mercado Livre, Shopee ou Amazon?
Não da mesma forma, porque o checkout e o contato com o cliente pertencem ao marketplace. O giftback funciona na loja própria, em plataformas como Nuvemshop, Tray, Shopify ou VTEX, onde você controla o crédito e o cadastro. Antes de convidar o cliente do marketplace para a loja própria, confira as regras de cada canal.
Preciso de autorização do cliente para lembrar o saldo pelo WhatsApp?
Sim. A LGPD exige base legal para o contato de marketing, e as regras da Meta para a WhatsApp API Oficial exigem que o cliente tenha aceitado receber mensagens da empresa. Registre esse consentimento no CRM junto com a data e o canal em que foi dado.
Qual valor de giftback usar na minha loja?
Não existe percentual certo para todas as lojas. Comece pela margem de contribuição do pedido mínimo e deixe o crédito bem abaixo dela. No exemplo ilustrativo do artigo, um crédito de R$ 20 em pedido mínimo de R$ 150 com margem de 35% ainda deixa resultado positivo.




