Pular para o conteúdo
EcomSmart

Cliente atraído por 35% de desconto valeu cerca de metade, diz estudo

Um desconto de entrada de 35% trouxe clientes com cerca de metade do valor, segundo Lewis (2006). Veja o resultado oposto de outro estudo e o que fazer.

· 11 min de leitura

Capa do artigo: cliente atraído por 35% de desconto valeu cerca de metade, diz estudo

Um desconto para conquistar clientes novos na Black Friday pode trazer compradores que valem menos no longo prazo, e o mesmo corte pode reduzir as compras de quem já era cliente. Num estudo com clientes de um jornal e de um supermercado online, um desconto de entrada de 35% resultou em clientes com cerca de metade do valor de longo prazo dos que chegaram sem promoção. Fonte: Lewis (2006), Journal of Marketing Research, 43(2), com dados de um jornal e de um supermercado online.

Outro estudo, com catálogo, achou o oposto para o cliente novo e uma queda nas compras futuras do cliente antigo. A divergência muda o que fazer: separar a oferta de quem chega da oferta de quem já compra, e medir o valor de cada grupo depois.

O desconto para conquistar clientes traz clientes piores?

Em alguns negócios, sim. Michael Lewis analisou dados de clientes de um jornal e de um supermercado online e achou que, quanto mais fundo o desconto de entrada, menor a taxa de recompra e o valor do cliente. O exemplo do autor: um desconto de 35% resultou em clientes com cerca de metade do valor de longo prazo dos conquistados sem promoção (mesma fonte).

Infográfico de barras: com desconto de entrada de 35%, o cliente valeu cerca de metade do valor de longo prazo do cliente sem promoção (índice 100 contra cerca de 50)
Valor de longo prazo do cliente, por desconto de entrada Índice: 100 é o cliente que chegou sem promoção; 35% de desconto resultou em cerca de metade

  1. 100 Sem promoção na entrada: cliente de referência
  2. cerca de 50 Desconto de entrada de 35%: cerca de metade do valor de longo prazo

Fonte: Lewis (2006), Journal of Marketing Research, 43(2): jornal e supermercado online. Índice EcomSmart a partir do exemplo do autor.

Na prática, o cliente que só entrou pelo desconto pode ser o que menos volta. Antes de transformar o corte fundo em padrão de aquisição, calcule quanto cada grupo de clientes gasta em 90 dias. Nenhum desses números vem de Black Friday, e jornal e supermercado online são categorias bem diferentes de moda ou eletrônicos.

O que o desconto fundo faz com o cliente que já compra de você?

Reduz as compras futuras dele, no experimento de um varejista de catálogo. Eric Anderson e Duncan Simester fizeram três experimentos de campo com um varejista de bens duráveis vendidos por catálogo, dois com clientes novos e um com clientes antigos: descontos mais fundos aumentaram as compras futuras dos clientes de primeira compra e reduziram as dos clientes já estabelecidos.

Os autores identificaram compra antecipada, seleção, aprendizado do cliente e aumento da sensibilidade a promoção. Compra antecipada é levar hoje o que se compraria depois; aumento da sensibilidade é o cliente passar a esperar o desconto. Para os clientes estabelecidos, as métricas de curto prazo exageram o ganho de demanda. Fonte: Anderson e Simester (2004), Marketing Science, 23(1), 4-20.

O limite: um varejista de catálogo, bens duráveis, experimentos de 1999 publicados em 2004, e o resultado do cliente antigo vem de um só dos três experimentos. Nesse experimento, o efeito não foi igual para todos: entre os clientes sem compra recente nem frequente, a demanda futura subiu 26,2% com o desconto fundo, o que os autores atribuem ao aprendizado do cliente. Fonte: texto completo de Anderson e Simester (2004), na página do autor.

Mesmo assim, o corte que parece ótimo no relatório da semana pode estar tirando compras futuras de quem já é seu cliente. Pergunte quanto dessa venda você teria feito de qualquer jeito.

Por que os dois estudos divergem sobre o cliente novo?

Provavelmente por método e por negócio, e essa é uma leitura nossa. Lewis analisou dados de clientes das duas empresas e comparou quem entrou com descontos de tamanhos diferentes; nesse tipo de dado, quem aceita a promoção pode ser um cliente diferente de quem paga o preço cheio. Anderson e Simester fizeram experimentos de campo, em que a empresa controla quem recebe cada desconto. Um jornal e um supermercado vendem algo diferente de um catálogo de bens duráveis.

Com a divergência, teste na sua base, por segmento, o que acontece com a recompra de cada grupo. Os dois mostram que o desconto altera o comportamento futuro do cliente, de formas diferentes conforme quem o recebe. Por isso uma oferta única para todos tem risco.

Quantas recompras pagam o desconto de entrada?

Depende de quanta margem o desconto consome na primeira compra. A margem que o desconto consome na primeira venda, dividida pela margem de cada recompra, dá o número de pedidos a mais que o grupo com desconto precisa fazer para empatar com o grupo sem desconto.

Veja um exemplo ilustrativo. Um produto de R$ 150 custa R$ 90, com margem de R$ 60 (40%). Com 30% de desconto de entrada, o preço cai para R$ 105 e a margem da primeira compra cai para R$ 15: são R$ 45 a menos por cliente. Cada recompra a preço cheio devolve R$ 60 de margem, então o grupo com desconto precisa de 0,75 pedido a mais por cliente em 90 dias só para empatar (R$ 45 ÷ R$ 60).

Exemplo ilustrativo: quanto o desconto de entrada custa por cliente novo
Item Sem desconto Com 30% de desconto
Preço da primeira compra R$ 150 R$ 105
Custo do produto R$ 90 R$ 90
Margem da primeira compra R$ 60 R$ 15
Margem que o desconto consumiu por cliente zero R$ 45
Recompras a mais em 90 dias para empatar (R$ 60 de margem cada) zero 0,75 pedido

Fonte: cálculo EcomSmart, exemplo ilustrativo, antes de frete, taxa e mídia; as recompras são a preço cheio.

Se os clientes que entram por desconto recompram menos, como no estudo de Lewis, o empate fica ainda mais longe. Quer saber quanto a sua loja deixa de faturar? Faça o diagnóstico grátis.

Cliente que chega por boca a boca vale mais?

Numa empresa de hospedagem de sites, sim no longo prazo. Villanueva, Yoo e Hanssens estimaram que clientes trazidos por ações de marketing adicionaram mais valor no curto prazo, e que os clientes de boca a boca adicionaram quase o dobro de valor no longo prazo. Para os autores, o boca a boca é mais lento e mais barato. Fonte: Villanueva, Yoo e Hanssens (2008), Journal of Marketing Research, 45(1), 48-59.

O limite: uma única empresa, que oferecia hospedagem gratuita ao usuário registrado, e não de varejo. No estudo, o grupo de boca a boca juntava a indicação de conhecidos com quem chegou por links de outros sites e de buscadores ou por matérias na imprensa, segundo a IESE, escola do primeiro autor. Um programa de indicação com prêmio precisa de medida própria.

Pela IESE, o valor medido inclui os novos clientes que cada cliente ajudou a trazer. E o longo prazo do estudo é contado em semanas: depois de dez semanas, o impacto acumulado do boca a boca era quase o dobro do impacto do marketing. Fonte: IESE Insight (2008), resumo do estudo.

Serve de pista para testar: se a sua Black Friday só compra cliente com desconto, desenhe também um caminho para o cliente atual convidar um conhecido, e compare o valor dos dois grupos no fim.

Como separar a oferta de quem chega da oferta de quem já compra?

Com quatro decisões antes da campanha: registrar a origem e o desconto de entrada de cada cliente, pôr teto no desconto de quem chega, dar à base uma oferta própria que custe pouca margem e medir o valor de cada grupo em 30, 60 e 90 dias.

Infográfico em quatro passos: registrar a origem do cliente, pôr teto no desconto de aquisição, dar uma oferta própria à base e medir o valor de cada grupo em 30, 60 e 90 dias
Quatro decisões antes da Black Friday Para separar a oferta de quem chega da oferta de quem já compra

  1. 1 Registrar a origem: Canal, cupom, percentual de desconto e data de cada cliente
  2. 2 Pôr teto na aquisição: Percentual máximo e limite de unidades para cliente novo
  3. 3 Dar oferta à base: Acesso antecipado, kit ou frete por segmento RFV
  4. 4 Medir o valor: Recompra e receita por origem em 30, 60 e 90 dias

Fonte: EcomSmart, a partir de Lewis (2006) e Anderson e Simester (2004).

  1. Registre a origem e o desconto de entrada. Canal, cupom, percentual e data em cada cliente, no CRM ou numa planilha. Sem esse registro, não há como comparar nada depois.
  2. Ponha teto no desconto de aquisição. Defina um percentual máximo e um limite de unidades por cliente novo, a partir da conta do ponto de equilíbrio que mostramos no texto sobre a conta do desconto na Black Friday.
  3. Dê à base uma oferta própria. Acesso antecipado, kit ou frete, por segmento de RFV (recência, frequência e valor). O texto sobre a matriz RFV na planilha mostra como separar a base.
  4. Meça o valor de cada grupo. Compare recompra e receita por origem e por desconto de entrada aos 30, 60 e 90 dias. Há 12 ações práticas de recompra em retenção de clientes no e-commerce.
Regra de oferta por segmento: exemplo ilustrativo
Segmento O que oferecer Como limitar
Cliente novo Desconto de entrada numa unidade Teto de desconto e limite de uma unidade por cliente
Campeões e fiéis Acesso antecipado, kit ou frete Sem desconto geral
Em risco Cupom de retorno com prazo curto Teto abaixo do de cliente novo e validade de poucos dias
Hibernando Oferta de reativação Teto definido pelo valor que o cliente já gerou

Fonte: regra sugerida pela EcomSmart, exemplo ilustrativo; os tetos de cada loja saem da conta de margem.

Como a EcomSmart entra nisso?

O CRM de fidelização da EcomSmart separa a base por RFV em perfis como Campeões, Fiéis, Em risco e Hibernando e envia a campanha de WhatsApp por perfil de cliente pelo WhatsApp API Oficial, a quem aceitou receber. Segundo a página do módulo, o painel mostra os pedidos e a receita influenciada pela campanha, por perfil, e descreve os Campeões como quem pede lançamento e acesso antecipado, e não desconto.

A assessoria de performance e vendas cuida da aquisição: tráfego no Google e na Meta e páginas de venda, com a mídia medida pelo que vende, e não pelo clique, segundo a descrição do serviço.

Para começar, o diagnóstico grátis mostra quanto a sua loja deixa de faturar. Ele é gratuito e começa com perguntas rápidas.

Perguntas frequentes

Os 35% do estudo valem para a minha loja?

Não necessariamente. São o exemplo do autor num estudo com clientes de um jornal e de um supermercado online (Lewis, 2006). Use o número como alerta para medir o valor dos clientes que entram por desconto, e não como regra de corte.

Devo parar de dar desconto para cliente novo?

Não. Ponha teto no percentual, limite as unidades por cliente e compare o valor desse grupo com o dos clientes que chegaram sem desconto aos 30, 60 e 90 dias.

Quem conta como cliente novo e quem conta como estabelecido?

Para a regra, cliente novo é quem está na primeira compra, e cliente estabelecido é quem já tem ao menos um pedido anterior. A matriz RFV refina o segundo grupo em perfis como Campeões, Fiéis, Em risco e Hibernando.

Como medir o valor do cliente em 90 dias?

Some a receita de cada cliente nos 90 dias seguintes à primeira compra e agrupe por origem e por desconto de entrada. A diferença entre os grupos é o número que decide o teto do próximo desconto.

Fontes deste guia

  • Lewis, M. (2006). Customer Acquisition Promotions and Customer Asset Value. Journal of Marketing Research, 43(2), 195-203. DOI
  • Anderson, E. T.; Simester, D. I. (2004). Long-Run Effects of Promotion Depth on New Versus Established Customers: Three Field Studies. Marketing Science, 23(1), 4-20. DOI e texto completo na página do autor
  • Villanueva, J.; Yoo, S.; Hanssens, D. M. (2008). The Impact of Marketing-Induced Versus Word-of-Mouth Customer Acquisition on Customer Equity Growth. Journal of Marketing Research, 45(1), 48-59. DOI
  • IESE Insight (2008). Buzz is better for bottom line, resumo do estudo de Villanueva, Yoo e Hanssens pela escola do primeiro autor. Artigo na IESE

Como este guia foi feito: a equipe editorial EcomSmart escreveu este texto com apoio de IA a partir das fontes listadas acima; todo número tem a fonte indicada ao lado.

Geraldo Durães
Quem escreveu

Founder da EcomSmart, com mais de 20 anos em tecnologia. Mestrando em Ciência, Tecnologia e Inovação no PPgCTI/UFRN, pesquisa retenção de clientes e classificação RFV para e-commerce e aplica IA ao crescimento de lojas virtuais.

Como este texto foi feito: escrito com apoio de ferramentas de inteligência artificial, com pesquisa e revisão humana. Todo número traz fonte, período e base; as fotos são ilustrativas, geradas por IA.

Guias da EcomSmart

Receba os guias novos no WhatsApp ou no e-mail

Um resumo curto quando sai texto novo no blog: vendas, marketplaces, tráfego, recompra e agentes de IA na prática, com fonte em todo número.

  • Você escolhe o canal: WhatsApp ou e-mail.
  • Só os textos novos, sem oferta no meio.
  • Para sair, é só responder SAIR.

Prefere mandar mensagem? Chame no WhatsApp e peça os guias.

Quero receber os guias

Onde quer receber

Dados protegidos pela LGPD.

Falar com a EcomSmart no WhatsApp