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Como calcular o lucro por pedido se o ticket da Black Friday cai 12,8%

Na Black Friday de 2025 os pedidos subiram 28% e o ticket caiu 12,8%. Veja a conta do lucro por pedido, com frete, taxa e mídia, e o que o ROAS esconde.

· 13 min de leitura

Capa do artigo: o ticket médio da Black Friday de 2025 caiu 12,8% no e-commerce brasileiro, segundo a Neotrust

Para calcular o lucro por pedido na Black Friday, parta do preço recebido e subtraia, por pedido, o produto, os impostos, a taxa de pagamento, o frete, a embalagem e a mídia. No dia da Black Friday de 2025, os pedidos do e-commerce brasileiro subiram 28,0% e o ticket médio caiu 12,8%, segundo a Neotrust. Fonte: Neotrust, apurado em 1º de dezembro de 2025, contra a Black Friday de 2024.

A conta importa porque o ticket menor não leva os custos junto. No exemplo ilustrativo deste texto, um ticket 12,8% menor derruba o que sobra por pedido em 26% ou em 46%, conforme o motivo da queda. A própria Neotrust lista a margem por operação entre o que não mede: o dado nacional mostra o volume, e o lucro só a sua loja sabe.

Como calcular o lucro por pedido na Black Friday?

O lucro por pedido é o que sobra de cada pedido depois de pagar o produto, os impostos, a taxa de pagamento, o frete, a embalagem e a mídia. O nosso texto sobre gestão de e-commerce em uma rotina semanal chama essa conta de margem de contribuição por pedido. Em fórmula: preço recebido menos cada custo e menos a mídia. Desconto no Pix, por exemplo, sai do preço recebido.

O exemplo ilustrativo abaixo usa os números daquele texto. Um pedido de R$ 200,00 paga R$ 80,00 de produto, R$ 16,00 de impostos (8%), R$ 6,00 de taxa de pagamento (3%), R$ 15,00 de frete subsidiado, R$ 4,00 de embalagem e R$ 30,00 de mídia, e deixa R$ 49,00, ou 24,5% do preço. Fonte: exemplo ilustrativo do texto de gestão de e-commerce da EcomSmart.

O que aconteceu com o ticket na Black Friday de 2025?

No dia da Black Friday de 2025, o e-commerce brasileiro vendeu R$ 4,76 bilhões, 11,2% a mais que na Black Friday de 2024. Os pedidos somaram 8,69 milhões, com alta de 28,0%, e o ticket médio caiu 12,8%. Fonte: Neotrust, Black Friday no e-commerce brasileiro, apurado em 1º de dezembro de 2025.

Infográfico: no dia da Black Friday de 2025, o ticket médio caiu 12,8%, os pedidos subiram 28,0% e o faturamento 11,2%, segundo a Neotrust
Mais pedidos e ticket menor na Black Friday de 2025 E-commerce brasileiro, dia da Black Friday contra a de 2024

  1. −12,8% no ticket médio do dia
  2. +28,0% nos pedidos do dia
  3. +11,2% no faturamento do dia

Fonte: Neotrust, apurado em 1º de dezembro de 2025, em mais de 7.000 lojas monitoradas. Faturamento ÷ pedidos dá cerca de 13,1% de queda do ticket, e a página não explica a diferença.

No 1º semestre de 2026, o desenho se repetiu. Contra o mesmo período de 2025, os pedidos cresceram 34,8%, o ticket médio caiu 13,3% e o faturamento subiu 16,9%. A Neotrust escreve que o crescimento de 2026 “vem de frequência de compra”. Fonte: Neotrust, dados do e-commerce brasileiro, apurado em 15 de julho de 2026.

Segundo a Neotrust, o ticket cai porque a compra se fatia: o consumidor compra mais vezes, com menos itens por pedido. No 1º semestre de 2026, os itens por pedido caíram 12,4%, para 1,97. Para o dia da Black Friday, a página não publica esse número. Fonte: Neotrust, dados do e-commerce brasileiro, 1º semestre de 2026 contra o de 2025, apurado em 15 de julho de 2026, e a página da Black Friday de 2025.

Os dados são transações observadas em mais de 7.000 lojas monitoradas, de varejo B2C e de indústria com venda direta online. Há uma ressalva na conta da própria página: faturamento dividido por pedidos dá cerca de R$ 548 e uma queda de cerca de 13,1%, e não os R$ 553,60 e os 12,8% publicados. A Neotrust não explica a diferença, e por isso este texto usa o percentual publicado como ordem de grandeza. Fonte: cálculo EcomSmart sobre a Neotrust.

Lá fora, a direção foi outra, em janelas diferentes. Segundo a Salesforce, o preço médio de venda da Cyber Week de 2025 (de 25 de novembro a 1º de dezembro) subiu 6% na base global da empresa, sem recorte por país, e os pedidos cresceram 2% no mundo e 1% nos EUA. Segundo a Adobe, de 1º de novembro a 1º de dezembro de 2025 a participação dos produtos mais caros nas unidades vendidas nos EUA subiu 19%. Fonte: Salesforce e Adobe, comunicados de dezembro de 2025.

Quatro medidas de pedidos e preço, em janelas diferentes
Fonte e país Janela Pedidos Ticket ou preço
Neotrust, Brasil Dia da Black Friday de 2025, contra 2024 +28,0% Ticket −12,8%
Neotrust, Brasil 1º semestre de 2026, contra o 1º semestre de 2025 +34,8% Ticket −13,3%
Salesforce, EUA e mundo 25/11 a 1/12 de 2025, contra o ano anterior +1% nos EUA, +2% no mundo Preço médio +6% na base global, sem recorte por país
Adobe, EUA 1/11 a 1/12 de 2025 Não informado Participação dos produtos mais caros nas unidades vendidas +19%

Fonte: Neotrust, Salesforce e Adobe. As janelas e as bases são diferentes, e este texto compara só a direção. A Adobe não informa se os 19% são relativos ou em pontos percentuais, nem contra qual período compara, e a Salesforce vende software de comércio.

Por que o lucro por pedido cai mais que o ticket?

Porque parte dos custos não depende do preço. O frete, a embalagem e a mídia por pedido são os mesmos para um pedido de R$ 200,00 e para um de R$ 174,40. O produto só cai junto com o ticket se a queda vier de uma cesta menor, e não de um desconto sobre a mesma cesta. Fonte: cálculo EcomSmart, exemplo ilustrativo.

O exemplo ilustrativo mostra os dois casos. No cenário A, o preço cai 12,8% por desconto e o produto continua custando R$ 80,00. No cenário B, a queda vem de uma cesta menor e o produto cai para 40% do preço, a mesma proporção de antes da queda. Impostos e taxa de pagamento seguem o preço nos dois. A explicação da Neotrust, de menos itens por pedido, fica mais perto do cenário B.

O que sobra por pedido com o ticket 12,8% menor: exemplo ilustrativo
Por pedido Antes da queda A: desconto na mesma cesta B: cesta menor
Preço recebido R$ 200,00 R$ 174,40 R$ 174,40
Produto R$ 80,00 R$ 80,00 R$ 69,76
Impostos e taxa de pagamento R$ 22,00 R$ 19,18 R$ 19,18
Frete e embalagem R$ 19,00 R$ 19,00 R$ 19,00
Mídia R$ 30,00 R$ 30,00 R$ 30,00
Sobra por pedido R$ 49,00 R$ 26,22 R$ 36,46
Sobra em % do preço 24,5% 15,0% 20,9%
Queda da sobra Base −46,5% −25,6%

Fonte: cálculo EcomSmart, exemplo ilustrativo, a partir dos custos do exemplo do nosso texto de gestão de e-commerce.

Infográfico em comparação, exemplo ilustrativo: com o ticket 12,8% menor por desconto, a sobra por pedido cai de R$ 49,00 para R$ 26,22, porque produto, frete, embalagem e mídia não encolhem
O ticket cai 12,8% e a sobra por pedido cai 46,5% Exemplo ilustrativo: desconto de 12,8% sobre a mesma cesta

  1. Preço recebido R$ 200,00 (Antes da queda) e R$ 174,40 (Ticket 12,8% menor)
  2. Produto R$ 80,00 (Antes da queda) e R$ 80,00 (Ticket 12,8% menor)
  3. Impostos e taxa de pagamento R$ 22,00 (Antes da queda) e R$ 19,18 (Ticket 12,8% menor)
  4. Frete e embalagem R$ 19,00 (Antes da queda) e R$ 19,00 (Ticket 12,8% menor)
  5. Mídia R$ 30,00 (Antes da queda) e R$ 30,00 (Ticket 12,8% menor)
  6. Sobra por pedido R$ 49,00 (Antes da queda) e R$ 26,22 (Ticket 12,8% menor)
  7. Sobra em % do preço 24,5% (Antes da queda) e 15,0% (Ticket 12,8% menor)

Fonte: cálculo EcomSmart, exemplo ilustrativo, a partir dos custos do exemplo do texto de gestão de e-commerce da EcomSmart.

Nos dois cenários o ticket cai 12,8% e a sobra cai mais: 46,5% no desconto e 25,6% na cesta menor. Em nenhum dos dois a perda é proporcional ao ticket, e é isso que a leitura só pelo faturamento esconde. O exemplo mantém frete e embalagem iguais no cenário B; com menos itens, os dois podem cair um pouco, e a queda da sobra fica menor. Fonte: cálculo EcomSmart, exemplo ilustrativo.

O que o ROAS deixa de fora?

O ROAS divide a receita pela mídia. No exemplo, com R$ 30,00 de mídia por pedido, ele cai de 6,7 (R$ 200,00 ÷ R$ 30,00) para 5,8 (R$ 174,40 ÷ R$ 30,00), 12,8% a menos. Um ROAS de 5,8 parece saudável. O que ele não mostra é quanto sobra antes da mídia. Fonte: cálculo EcomSmart, exemplo ilustrativo.

O ROAS de equilíbrio é o preço dividido pela margem antes da mídia. Abaixo dele, cada venda anunciada dá prejuízo. No exemplo, antes da queda do ticket, a margem antes da mídia é R$ 79,00 e o ROAS de equilíbrio é 2,5. Fonte: cálculo EcomSmart, exemplo ilustrativo.

No cenário A, a margem antes da mídia cai para R$ 56,22 e o ROAS de equilíbrio sobe para 3,1; no cenário B, vai a 2,6. A folga entre o ROAS e o ROAS de equilíbrio, que era de 2,6 vezes, cai para 1,9 vez no cenário A. Fonte: cálculo EcomSmart, exemplo ilustrativo.

Quantos pedidos a mais cobrem a queda do lucro por pedido?

Para manter o lucro total, os pedidos precisam crescer na proporção inversa da sobra. No cenário A, é preciso 87% mais pedidos (R$ 49,00 ÷ R$ 26,22 = 1,87). No cenário B, 34% (R$ 49,00 ÷ R$ 36,46 = 1,34). Fonte: cálculo EcomSmart, exemplo ilustrativo.

Pedidos necessários para manter o lucro total: exemplo ilustrativo
Cenário Pedidos a mais para manter o lucro Lucro total com 28% a mais de pedidos
A: desconto na mesma cesta +87% −31,5%
B: cesta menor +34% −4,8%

Fonte: cálculo EcomSmart, exemplo ilustrativo. A alta de 28% compara o dia da Black Friday de 2025 com o de 2024, segundo a Neotrust; aqui ela é aplicada a uma loja de exemplo que vendia com o ticket de R$ 200,00 na Black Friday anterior.

O dado nacional não mede margem, e a estrutura de custos do exemplo é ilustrativa, então não dá para concluir que as lojas brasileiras perderam lucro. A loja precisa saber a sua própria conta antes de decidir quanto ticket e quanto desconto aceitar.

Quando um ticket menor ainda paga?

Paga quando o custo de atender mais um pedido é baixo, ou quando a recompra cobre o desconto. Numa loja de produto físico, cada pedido paga produto, frete e taxa, e o custo marginal costuma ser alto.

A recompra tem risco, e os estudos divergem. No nosso texto Cliente atraído por 35% de desconto valeu cerca de metade, diz estudo, quem entrou com 35% de desconto valeu cerca de metade, no longo prazo, de quem chegou sem promoção, num estudo observacional com um jornal e um supermercado online; experimentos de campo com catálogo acharam o oposto para o cliente novo. Fonte: Lewis (2006), Journal of Marketing Research, e Anderson e Simester (2004), Marketing Science, segundo o nosso texto. Por isso a recompra precisa de conta.

Como fazer essa conta com os pedidos da Black Friday de 2025?

A conta sai numa tarde, com a exportação de pedidos da última Black Friday. São cinco passos.

  1. Exporte os pedidos. Traga o dia da Black Friday de 2025 e um dia comum de outubro de 2025, com preço pago, desconto, frete cobrado e frete pago, forma de pagamento e origem.
  2. Some os custos por pedido. Produto, impostos, taxa de pagamento, frete e embalagem (no marketplace, a comissão e a tarifa entram no lugar da taxa e de parte do frete); a mídia do dia dividida pelos pedidos do dia.
  3. Calcule a sobra por pedido e por categoria. Separe os pedidos com desconto dos sem desconto. O nosso texto de gestão de e-commerce lembra que uma margem média pode esconder produtos com margem negativa.
  4. Calcule o ROAS de equilíbrio de cada categoria. É o preço dividido pela margem antes da mídia.
  5. Defina, antes de novembro, a margem mínima por pedido e a meta de ROAS por categoria. O desconto que não respeita a margem mínima sai da oferta.

Fonte: EcomSmart, a partir do texto de gestão de e-commerce.

Para montar as ofertas do mês depois de fechar a conta, o guia Black Friday com IA: como vender durante novembro inteiro traz o calendário de ofertas, Pix, marketplaces e WhatsApp.

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Como a EcomSmart entra nisso?

A assessoria de performance e vendas da EcomSmart opera tráfego no Google e na Meta, páginas de venda e CRM no WhatsApp API Oficial com o mesmo time, e descreve a mídia como medida pelo que vende, e não pelo clique. A conta deste texto cabe nessa medição: a mídia por pedido é uma das linhas, e a sobra por pedido mostra se a venda anunciada deixa dinheiro.

O diagnóstico grátis é o ponto de partida: ele é gratuito e começa com perguntas rápidas sobre a loja.

Perguntas frequentes

O que é lucro por pedido?

É o que sobra de cada pedido depois de produto, impostos, taxa de pagamento, frete, embalagem e mídia. O nosso texto de gestão de e-commerce chama essa conta de margem de contribuição por pedido.

Por que o lucro por pedido cai mais que o ticket?

Porque frete, embalagem e mídia por pedido não encolhem com o ticket. No exemplo ilustrativo, um ticket 12,8% menor reduz a sobra em 25,6% quando a cesta é menor e em 46,5% quando o preço cai por desconto.

O ROAS serve para decidir o desconto da Black Friday?

Serve para acompanhar a campanha, mas não mostra a margem antes da mídia. Compare o ROAS de cada categoria com o ROAS de equilíbrio, que é o preço dividido pela margem antes da mídia.

Dá para comparar o ticket do Brasil com o dos Estados Unidos?

Só a direção. As janelas são diferentes: um dia no Brasil, sete dias na Salesforce e um mês na Adobe. O preço médio da Salesforce não separa país, e o dado da Adobe para os EUA mede a participação dos produtos mais caros nas unidades vendidas.

Fontes deste guia

Como este guia foi feito: a equipe editorial EcomSmart escreveu este texto com apoio de IA a partir das fontes listadas acima; todo número tem a fonte indicada ao lado.

Geraldo Durães
Quem escreveu

Founder da EcomSmart, com mais de 20 anos em tecnologia. Mestrando em Ciência, Tecnologia e Inovação no PPgCTI/UFRN, pesquisa retenção de clientes e classificação RFV para e-commerce e aplica IA ao crescimento de lojas virtuais.

Como este texto foi feito: escrito com apoio de ferramentas de inteligência artificial, com pesquisa e revisão humana. Todo número traz fonte, período e base; as fotos são ilustrativas, geradas por IA.

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